Criatividade, inteligência e romantismo.
Eu uso um sapato que deixa o meu pé gordo, e outro que o deixa magro. Mas isso não faz de mim uma pessoa esbelta. Eu uso roupas que ninguém acredita. Eu faço a festa me camuflando. E não existem capas de invisibilidade! Prefiro não discutir. Faço um chá e deito na rede. A rede é que me balança, pois é ela que me entende. E as palavras, que não consigo segurar, que me atropelam toda vez que eu quero pronunciá-las. Acabo dizendo coisas que não disse realmente. Não sei. Não paro para pensar muito, ou penso demais. E pensando demais fico refém da imaginação. O sentimento abstrato que me toma, que me faz viver, dói. Dói assim, quando c
omeça. E eu nunca sei quando acaba, portanto, nunca sei de nada. É que eu não paro para pensar. Eu sinto. E sinto muito quando percebo que o outro não sente. Sentir é viver. Talvez eu não viva, assim, como vivem os mímicos, ou, os palhaços; mas... assim como as borboletas que vão de flor em flor eu continuo a acreditar que, se não há nada para mim aqui, logo ali tem. Creio não saber explicar direito. É como descrever um olhar. Há tantas palavras para se descrever um olhar e, nunca conseguimos fazer a outra pessoa entender. Talvez eu seja um olhar. Não há julgamentos, não há explicações, não há razão para tal. Há o medo. As pessoas não falam por que tem medo. Eu também tenho medo. O que há naquele olhar? O que há de tão bonito, ou, de tão horrível naquele olhar? É sentimento. Sentimento que vive e morre. Constantemente. (não morrer, no sentido de morrer. morrer assim, como quando estamos desanimados) Há os que sabem e há os que não sabem. Eu sei. Eu sempre sei. Mesmo que a sinceridade me derrube. A verdade dita por ela não dói tanto quanto a verdade dita pela mentira. Sinceridade não é deixar de mentir, é sentir e expressar-se. Mudei de idéia, não sou um olhar. Sou um sentimento. Um sentimento que, quando me distraio, faz de mim um coração. Aí eu piro. Mas não precisa ter medo. É quase tudo que tu estavas precisando. Só basta sentir-me. A loucura, o prazer, a intensidade e o infinito andam juntos comigo. Mas isso não significa que eu seja louca - no sentido de ser demais. Eu não sou demais. Fico ali no meio, entre o agir certo e o agir errado. Eduque seus olhos. Desenvolva um olhar. Se eu estiver muito distante de ti, desconfie da razão.
Se eu estiver muito perto, voe.
Isso lhe assusta? Ou lhe mata de rir?





